quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Rollin Chamas e banda A Coisa

 Quase no final do livro há o capítulo OSTRACISMO e CLAUSTROFOBIA.




É engraçado reler o livro agora (dezembro, 2023) e perceber como a internet não é mais a mesma. 

Citar Myspace e Orkut ficou tão 'cringe'.

É inevitável atualizar o livro.

Neste capítulo citado há um parágrafo que termina assim:


"... das carnvalescas A Coisa e Rollin' Chamas ..."


Depois do livro publicado percebi que rotular as bandas A Coisa e Rollin' Chamas  de carnavalescas poderia ser ofensivo. 



Os Rollin' Chamas


A menção ao carnaval deve-se a uma conversa que tive com Maurício Mota (o cara que fez a arte do livro). Mota foi guitarrista e vocalista da excelente Hang the Superstars, mas também participou da banda A Coisa.



Hang the Superstars


Num papo descontraído durante o período em que planejávamos o livro perguntei a Mota o por que de ele ter acabado com a banda Hang the Superstars.

Mota respondeu que pra ele, pessoalmente, a única banda de rock 'n' roll de verdade era A Coisa que, assim como The Cramps, fazia um CARNAVAL no palco. Uma festa. E que rock'n'roll é isso: festa, alegria, descontração e muita farra.



Maurício Mota e Gilmar Camillo


Na minha cabeça a banda Rollin' Chamas é uma espécie de A Coisa só que aperfeiçoada. Nos shows do Rollin' Chamas também há o clima de FESTA e tudo é bem descontraído, então coloquei as duas bandas em um só saco e as defini vagamente como CARNAVALESCAS. 

Os egos de músicos de rock são Godzillas e quando se escreve um livro é preciso um certo tato para não ofender as personagens.

Enquanto finalizava aquele parágrafo eu visualizava The Cramps, mas no texto pode-se evocar uma imagem de fanfarra tocando 'Olha a cabeleira do Zezé..." o que não foi de maneira alguma minha intenção.


Como estamos caminhando em direção a 2ª edição isso é algo que irá mudar. O carnavalescas vai desaparecer e a menção aos Cramps terá lugar.






terça-feira, 19 de outubro de 2021

JOY DIVISION / NEW ORDER por Joe Carducci, traduzido do livro 'ROCK and the POP NARCOTIC'.

 traduzi esse trecho do livro Rock and the Pop Narcotic, Testament for the Electric Church de Joe Carducci:



"Joy Division, aparentemente, tinha uma espécie de pacto de sangue que se algum dos quatro deixasse a banda os outros não continuariam. Mas que New Romantic! Quando o cantor Ian Curtis morreu os outros trapacearam um pouquinho e mudaram o nome para New Order, e mais reveladoramente fizeram uma mudança dramática do Rock (arte) para Pop (artesanato). 

A mudança de nome, autorreferente, mudou da identificação com as vítimas para a identificação com os perpetradores. Nunca uma mudança desse tipo foi executada tão claramente por uma banda. Em lançamentos (de discos) sucessivos Joy Division tinha empurrado os teclados para a frente e a guitarra para trás na mixagem – adoçando o som – mas eles até então estavam tocando um rock altamente refinado ainda que influenciado pelos Stooges. 

Mas o ritmo de rock foi trocado pelo de disco/electro e o New Order trilhou o caminho do dance sofisticado enfatizando technotruques e texturas e eliminando guitarras de uma vez por todas. As letras de Curtis eram diretas e tinham conteúdo emocional; os outros membros somente poderiam substituí-las por um vácuo inofensivo e chique. 

O mais interessante é que eles fizeram a mesma mudança musicalmente sem que nenhum dos outros integrantes fosse substituído."

Joe Carducci em Rock and the Pop Narcotic