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terça-feira, 19 de outubro de 2021

JOY DIVISION / NEW ORDER por Joe Carducci, traduzido do livro 'ROCK and the POP NARCOTIC'.

 traduzi esse trecho do livro Rock and the Pop Narcotic, Testament for the Electric Church de Joe Carducci:



"Joy Division, aparentemente, tinha uma espécie de pacto de sangue que se algum dos quatro deixasse a banda os outros não continuariam. Mas que New Romantic! Quando o cantor Ian Curtis morreu os outros trapacearam um pouquinho e mudaram o nome para New Order, e mais reveladoramente fizeram uma mudança dramática do Rock (arte) para Pop (artesanato). 

A mudança de nome, autorreferente, mudou da identificação com as vítimas para a identificação com os perpetradores. Nunca uma mudança desse tipo foi executada tão claramente por uma banda. Em lançamentos (de discos) sucessivos Joy Division tinha empurrado os teclados para a frente e a guitarra para trás na mixagem – adoçando o som – mas eles até então estavam tocando um rock altamente refinado ainda que influenciado pelos Stooges. 

Mas o ritmo de rock foi trocado pelo de disco/electro e o New Order trilhou o caminho do dance sofisticado enfatizando technotruques e texturas e eliminando guitarras de uma vez por todas. As letras de Curtis eram diretas e tinham conteúdo emocional; os outros membros somente poderiam substituí-las por um vácuo inofensivo e chique. 

O mais interessante é que eles fizeram a mesma mudança musicalmente sem que nenhum dos outros integrantes fosse substituído."

Joe Carducci em Rock and the Pop Narcotic

segunda-feira, 8 de abril de 2019

GRETA VAN FLEET: Ajustados na contemporaneidade.


O que há de errado com o Greta Van Fleet? Nada. Greta Van Fleet tem a característica de se parecer muito com Led Zeppelin o que trouxe a discussão de volta para a rede.

Digo ‘de volta’ porque ano passado (2018) já partilhavam uns videos deles e todos riam, mas ninguém ficava puto e agressivo. Desta vez, por ocasião do Lollapalooza os ânimos se exaltaram no meio roqueiro o que me fez digitar essa postagem.

Uma rápida pesquisa Google sobre a ‘morte do rock’n’roll pode trazer um horizonte que poucos roqueiros tem contemplado, mas que já foi amplamente discutido: Os Beatles colocaram um fim ao rock’n’roll. O ano? 1967 é o que dizem. Mas ninguém diz que os Beatles mataram o ROCK e sim que eles colocaram um fim ao “rock’n’roll”. Tiraram o ‘n’roll e ficou só ROCK.



O que era o rock’n’roll? Era tudo que fosse ligado à explosão de meados dos anos 1950 liderada por Elvis Presley: doo-wop, surf music, Motown, the British Invasion, James Brown.

Ao lançar Seargent Pepper's os Beatles criaram a música branca chamada rock. Canções como 'Yesterday' possibilitaram o surgimento de Simon & Grafunkel e eventualmente 'Yes' e 'Emerson, Lake and Palmer'.

De acordo com essa visão não apenas o rock nasce das cinzas do rock'n'roll, mas também morre aí a criatividade, a originalidade, a produtividade (garotos do século XX/XXI em frente a computadores sob ar refrigerado não conseguem produzir como homens que dão duro plantando cana, algodão ou cumprindo turno em uma indústria. Ao fim do dia esses homens produziam música enquanto os garotos de hoje com bons instrumentos e tecnologia apenas reciclam o que já foi feito).

1966 também foi o último ano em que os compactos de vinil venderam mais que os álbuns (LPs). O rock é adulto, o rock'n'roll é jovem.

1966 foi quando a psicodelia trouxe roupas antigas, orientais e de crochê para a moda causando a morte da moda também. Desde então tudo tem sido releitura.

Também, mas talvez não em 1966, a ficção científica chega a um fim: Matrix é a cópia da trilogia Neuromancer de William Gibson. O cinema bebe sofregamente em Phillip K. Dick. Assista sci-fi na Netflix que todos os filmes são cópias descaradas e sem graça dos grandes clássicos.



Os EUA, por sua vez, parecem ter desistido da corrida espacial e todo aquele frisson pelo espaço sideral chega a um halt e não temos quase mais nada além de mini-carros filmando os desertos de Marte.

Voltando ao rock temos The Jesus and Mary Chain como um Velvet Underground, Guns’n’Roses como Aerosmith, Glam como retorno aos 1950, Hair Metal mais caprichado no look que New York Dolls, Grunge como a cena sem nome dos EUA nos anos 1980 (Pearl Jam como Whitesnake?).

Quando ouvi Electric do The Cult (1987) bati cabeça como se fosse AC/DC, quando eu tinha uma casa noturna (2005-2007) me mostraram Muse e me soou como U2, Ramones é surf, o post-punk foi releitura da música negra estadunidense/jamaicana + krautrock, o punk era anos 1960, os eletrônicos todos são Kraftwerk ou Giorgio Moroder.



Releituras, reencenações, reuniões, retrô. Bandas de velhos lotam estádios. A classe média se delicia com móveis e artefatos vintage e no meio de tudo isso temos Greta Van Fleet, injustamente apedrejados como arremedo de Led Zeppelin.

Greta Van Fleet não faz nada menos nem mais que todas as bandas de rock, que todos os estilistas, arquitetos, designers, escritores, cineastas, publicitários, jornalistas, artistas, eu e você desde a segunda metade dos 1960.

Estão ajustados na contemporaneidade, iguais a seus pares: Olham para traz, saqueiam os arquivos da modernidade, reciclam, regurgitam, refazem, reabastecem, reequilibram.

Finalizo com o dicionário Priberam:

re- 
(prefixo latino re-)



prefixo
1. Elemento designativo de repetição, .ação repetida ou .retroativa 
(ex.: reabastecer, recandidatura, reequilíbrio).
2. Indica reforço (ex.: realçar, rebaixar, revelho).



"re", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/re [consultado em 09-04-2019].

fontes: 
How the Beatles Destroyed Rock 'n' Roll by Elijah Wald
1966: The Year the Decade Exploded, by Jon Savage

Retromania: Pop Culture's Addiction to Its Own Past by Simon Reynolds



domingo, 26 de agosto de 2018

A cena de rock em Goiânia - matéria no jornal O Popular

DIA DO ROCK/ESTAMOS AQUI
Jornal O Popular/Caderno MAGAZINE
13 de julho, 2018
por Jadson Jr.






ALERTA DE EDIÇÃO:

A jornalista responsável pela edição desse caderno cultural(Magazine) me ligou algumas horas antes de fechar a edição do dia do rock de 13/07/2018 me pedindo um texto para ontem.

Disse que eu deveria me ater a 20 linhas e o que passasse disso seria 'cortado'.

Fiquei satisfeito porque os jornais de Goiânia sempre 'cortam' parte dos textos ou simplesmente inventam coisas que nunca escrevi então enviei 19 linhas.

Creio que essa foi a razão de a querida jornalista ter acrescentado palavras ao texto (será que eu devia ter entregado 20 linhas?).

Acrescentou "nesse caminho houve ainda" substituindo algo que eu escrevera e no final do texto eu termino assim: ESTAMOS AQUI.

Mas ela achou melhor trocar por AINDA ESTAMOS AQUI.

AINDA é uma preposição que destruiu o significado. AINDA estamos aqui (daqui a pouco poderemos não estar).

Para piorar tudo isso virou o título do texto: AINDA ESTAMOS AQUI.

o que eu quis dizer é ESTAMOS AQUI porque se estamos debaixo do chão ninguém nos vê, mas veja bem ESTAMOS AQUI (deixei oculto a fama de nossa cidade ser capital do breganejo e o grosso da população e os políticos nos ignoram completamente).

Meu amigo Marcelo Solá me disse certa vez que o jornal dura só um dia, no dia seguinte tudo que estava lá desapareceu no lixão das cidades.

Nada mal para um dia.