sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O artista visual Juliano Moraes fala sobre os anos 80

O artista visual Marcelo Solá sobre sua colaboração com os Restos da Cultura Proibida

A História Perdida dos Doentes do Amor: documentário

Eladio Garcia fala sobre a banda Sexta 13 na cena rock em Goiania no início dos anos 80.

Restos da Cultura Proibida - ex membros se reúnem 28 anos depois

Edson Lenine fala sobre as bandas Doentes a Procura da Cura e Restos da Cultura Proibida.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Rollin Chamas e banda A Coisa

 Quase no final do livro há o capítulo OSTRACISMO e CLAUSTROFOBIA.




É engraçado reler o livro agora (dezembro, 2023) e perceber como a internet não é mais a mesma. 

Citar Myspace e Orkut ficou tão 'cringe'.

É inevitável atualizar o livro.

Neste capítulo citado há um parágrafo que termina assim:


"... das carnvalescas A Coisa e Rollin' Chamas ..."


Depois do livro publicado percebi que rotular as bandas A Coisa e Rollin' Chamas  de carnavalescas poderia ser ofensivo. 



Os Rollin' Chamas


A menção ao carnaval deve-se a uma conversa que tive com Maurício Mota (o cara que fez a arte do livro). Mota foi guitarrista e vocalista da excelente Hang the Superstars, mas também participou da banda A Coisa.



Hang the Superstars


Num papo descontraído durante o período em que planejávamos o livro perguntei a Mota o por que de ele ter acabado com a banda Hang the Superstars.

Mota respondeu que pra ele, pessoalmente, a única banda de rock 'n' roll de verdade era A Coisa que, assim como The Cramps, fazia um CARNAVAL no palco. Uma festa. E que rock'n'roll é isso: festa, alegria, descontração e muita farra.



Maurício Mota e Gilmar Camillo


Na minha cabeça a banda Rollin' Chamas é uma espécie de A Coisa só que aperfeiçoada. Nos shows do Rollin' Chamas também há o clima de FESTA e tudo é bem descontraído, então coloquei as duas bandas em um só saco e as defini vagamente como CARNAVALESCAS. 

Os egos de músicos de rock são Godzillas e quando se escreve um livro é preciso um certo tato para não ofender as personagens.

Enquanto finalizava aquele parágrafo eu visualizava The Cramps, mas no texto pode-se evocar uma imagem de fanfarra tocando 'Olha a cabeleira do Zezé..." o que não foi de maneira alguma minha intenção.


Como estamos caminhando em direção a 2ª edição isso é algo que irá mudar. O carnavalescas vai desaparecer e a menção aos Cramps terá lugar.






terça-feira, 19 de outubro de 2021

JOY DIVISION / NEW ORDER por Joe Carducci, traduzido do livro 'ROCK and the POP NARCOTIC'.

 traduzi esse trecho do livro Rock and the Pop Narcotic, Testament for the Electric Church de Joe Carducci:



"Joy Division, aparentemente, tinha uma espécie de pacto de sangue que se algum dos quatro deixasse a banda os outros não continuariam. Mas que New Romantic! Quando o cantor Ian Curtis morreu os outros trapacearam um pouquinho e mudaram o nome para New Order, e mais reveladoramente fizeram uma mudança dramática do Rock (arte) para Pop (artesanato). 

A mudança de nome, autorreferente, mudou da identificação com as vítimas para a identificação com os perpetradores. Nunca uma mudança desse tipo foi executada tão claramente por uma banda. Em lançamentos (de discos) sucessivos Joy Division tinha empurrado os teclados para a frente e a guitarra para trás na mixagem – adoçando o som – mas eles até então estavam tocando um rock altamente refinado ainda que influenciado pelos Stooges. 

Mas o ritmo de rock foi trocado pelo de disco/electro e o New Order trilhou o caminho do dance sofisticado enfatizando technotruques e texturas e eliminando guitarras de uma vez por todas. As letras de Curtis eram diretas e tinham conteúdo emocional; os outros membros somente poderiam substituí-las por um vácuo inofensivo e chique. 

O mais interessante é que eles fizeram a mesma mudança musicalmente sem que nenhum dos outros integrantes fosse substituído."

Joe Carducci em Rock and the Pop Narcotic

domingo, 9 de maio de 2021

Sarjeta Secreta (1983?) banda de rock de Goiânia

A banda Wemaguettes inovou o rock de Goiânia ao pisar o solo da New Wave pela primeira vez.

Como está em nosso livro o embrião dos Wemaguettes era o Sarjeta Secreta.

Na foto, da esquerda para a direita, Azeitona, Zé Metal, Raul e outro que não identificamos.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Almir Almirante - nota de falecimento 😥

Em fevereiro de 2021 o Almir Almirante faleceu em decorrência de uma angioplastia.

Almirante é o virtual fundador do rock autoral em Goiânia. Em 1969 ele formou a Banda Capeta que em 1973 se tornaria a banda de rock mais longeva do estado, a Língua Solta.

A banda Língua Solta nunca deixou de existir e acumulou um elenco de dezenas de músicos nesses quase 50 anos de existência.

Em nosso livro, Almirante e banda Língua Solta são citados recorrentemente.

RIP 


domingo, 14 de fevereiro de 2021

Bonecas de Trapo, banda feminina em Goiânia no início dos anos 80


Em novembro de 2020 a Karla Josetti (A direita na foto) faleceu em Goiânia.

Juntamente com sua irmã Adriana (no meio na foto) e com outras integrantes, Karla montou a banda Bonecas de Trapo. 

Em nosso livro citamos a banda para falar sobre a presença feminina na cena de rock da capital.

Enquanto eu escrevia o livro tentei várias vezes entrevistar pelo menos uma delas, mas sem sucesso.

Agora finalmente consegui contato com algumas delas e logo mais vou editar um fanzine com entrevistas com as ex-integrantes e fotos da banda.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

A Day Out With Joy Division - entrevista em português com fotos


 
Joy Division no Pennine Studios em Oldham




Nota do tradutor: Uma versão em português desta entrevista já esteve hospedada na página do E-zine Electric Mind e se chamava ‘Um Dia Com o Joy Division’. A página pertencia a um tal de Augusto Fernandes, mas não encontrei a página então resolvi fazer essa tradução livre.

Contudo o endereço da versão em português era esse: 


As fotos que ilustram essa tradução foram tiradas no Pennine Studios no mesmo dia da entrevista. Encontrei no twitter do Jon Savage @JonSavage1966.

O texto que traduzi segue abaixo:

[Essa entrevista foi publicada originalmente na revista de ficção científica Extro, Vol 2/nº 5. Negligenciada por quase todos, é uma das entrevistas mais interessantes do Joy Division, reproduzida aqui com permissão do autor. Em 8 de janeiro de 1980 Alan Hempsal entrevistou Joy Division e seu empresário Rob Gretton, quando a banda e Martin Hannet estavam trabalhando em Love Will Tear Us Appart (versão original a ser encontrada no lado B de FAC 23), These Days e The Sound Of Music, nos estúdios Pennine em Oldham.]

Frank Brinkhuis


“É terça-feira oito de janeiro, o clima tá absolutamente congelante e eu estou em pé do lado de fora do Manchester’s Free Trade Hall. Eu olho meu relógio, quinze para as duas. Eu estou em pé aqui por uma eternidade. O Joy Division deveria ter me encontrado aqui 45 minutos atrás. Meus pés estão ficando dormentes e eu estou quase desistindo e indo pra casa quando uma buzina atrai minha atenção. Do outro lado da rua tem um mini-bus com os três membros do Joy Division, Ian Curtis (vocal), steve Morris (bateria) e Rob Greton (empresário). Steve está ao volante. Eu saio correndo até eles com meu equipamento e entro assim que Ian consegue abrir uma porta teimosa depois de 5 minutos.

“Desculpe pelo atraso,” diz Rob, “mas a gente tá atrasado com todo mundo hoje. A gente deveria ter pego o Bernard (Bernard Dicken, guitarrista) até dez pra uma.

Nosso destino final é o Pennine Studios onde a banda está gravando o restante do seu último ‘single’ Transmission, mas primeiro a gente tem que buscar o Peter Hook (baixista).


Foto por Daniel Meadows


É no caminho de buscar Peter Hook (Hookey como ele é conhecido entre amigos) que Rob me informa que eles não dão mais entrevistas então fico honrado em ser a exceção. Entretanto, temos um limite (sempre tem, não é?) e Rob me diz que ele e a banda prefeririam se eu não usasse meu gravador, o resultado final seria bastante superior. A ideia de informalidade parecia legal, mas como eu iria me lembrar de tudo? Ah, deixa pra lá, melhor começar logo.

O Joy Division. Apenas umas semanas atrás tinham estado na Bélgica e Paris pra tocar. Eu pergunto a Ian como foi.

‘A gente gostou muito, parece que a gente se virou bem. Na Bélgica nós fizemos um show na TV, era uma compilação de várias coisas. Tinha a gente, o Cabaret Voltaire e William Burroughs que estava lendo o livro novo dele The Third Mind. Depois nós fomos  apresentados à ele e eu perguntei se ele tinha outro exemplar (do livro), mas ele não tinha. Também tinha uns caras no show fazendo um barulhos desagradáveis nuns violinos e gritando o tempo todo, muito ridículo.’

Já que eu também já tinha estado na Bélgica eu achava que (a Bélgica) era um lugar muito obscuro pra tocar. Será que os discos deles vendem lá?

‘Bem, em termos de quantidade eu acho que não, mas mais porque o mercado de rock lá é minúsculo comparado à maioria de outros lugares então, em retrospecto, eu não acho que nosso álbum vendeu tão mal assim por lá. Quero dizer que só precisa vender 200 discos ou qualquer coisa ridícula e já entra nas paradas. O que faz o mercado de rock lá tão pequeno é que todos gostam daquelas cantoras francesas de baladas por lá, todas as lojas estão cheias de álbuns de pessoas tipo Edith Piaf e Sacha Distel.

Os belgas e parisienses são estranhos, o público é muito reservado,  só um pouco animados. Nós tocamos num clube bem selecionado onde as pessoas fazem fila do lado de fora na rua, mas só podem entrar se forem famosas ou se você tiver o visual ‘certo’, tipo Studio 54. Depois de tocar eles serviram comida especial pra gente no andar de cima e tinha todo esse pessoal selecionado andando à toa e, acredite ou não, tinha até uma piscina que você podia nadar nela se quisesse.


Bernard Sumner e Martin Hennet trabalhando a faixa These Days

A voz de Rob gritando igual louco e tentando convencer Steve a passar por cima de qualquer um que estivesse no caminho providenciou um pano de fundo animado, mas bem barulhento para minha conversa com Ian e pareceu que, sem perceber, a gente já tinha buscado o Hookey e já estávamos estacionando em frente ao Oldham’s Pennine Studios. O lugar parece bem esquisito também. Tendo se mudado de seu local anterior há alguns meses, (o estúdio) agora se aconchega dentro da nave de uma antiga igreja, o exterior áspero abriga o aveludado interior.

Entrando no estúdio encontro Martin Hannet, o produtor da maioria do trabalho do Joy Division e outras bandas além do que ele é o homem cujo trabalho é admirado por um grande número de pessoas (Nossa! Isso tá começando ficar igual a This Is Your Life). Alguém até já veio mais cedo hoje entrevistá-lo. Ele tá mexendo com o sintetizador de Bernard e parece bem satisfeito com um novo efeito que ele reivindica ter descoberto.

Enquanto Martin demonstra (o novo efeito) para Rob, Ian me tira dali para me mostar sua guitarra que ele comprou recentemente. É uma Vox, bem antiquada com botões de efeitos 4e uma bateria interna. Ele diz que está aprendendo a tocar e tenta ilustrar vocalmente alguns dos maravilhosos sons que pode criar com sua Vox.

Logo Martin está pronto para gravar as partes do vocal e todos nós entramos na sala de controle. Ian começa a cantar. Enquanto Martin está ocupado na mesa de mixagem, Rob, Hookey e Steve se ocupam em criticar as ideias um do outro sobre mixar e produzir que invariavelmente se rebaixa em um choque insultos leves. Rob parece ser o instigador desses torneios de palavrões e humilhações que temperariam as conversas através do dia.
Enfim Bernard chega e, enquanto Rob diz a Ian ele está cantando horrivelmente hoje, eu pergunto a Bernard o que ele acha de trabalhar dentro de estúdios.

‘Eu estou bem satisfeito. Tudo está soando bem. Duas das três faixas que a gente tá trabalhando hoje vão estar no novo ‘single’, a primeira vai ficar no lado A e então vamos escolher das outras duas para o lado B, provavelmente a terceira. Eu gostaria que a Factory lançasse um single 12”, mas se vai ser possível ou não, eu não sei”.

Bem, certamente merece ser lançado como 12”. Apesar de que já está sendo gravado não será lançado senão em dois meses. O lado A se chama Love Will Tear Us Apart, uma faixa dançante que trilha um novo terreno para o Joy Division com seu som dominado pelo teclado. Daí tem a música The Sound Of Music que é um pouco mais do que estamos acostumados o que não a faz pior. A última música da fita, e essa é a que o Bernard me diz que provavelmente será o lado B, é chamada These Days e eu achei que essa era mesmo algo para se escrever a respeito, essa música se beneficia de verdade em ser gravada através de doze polegadas de vinil. Tem uma batida poderosa e uma boa linha de contrabaixo costuradas por um ritmo à la Giorgio Moroder criado por uma coisa que eu achei que era um sintetizador.

‘Na verdade,’ diz Bernard, ‘é uma guitarra alimentada através de um sintetizador e o ritmo é criado passando o sinal da guitarra através de um canal do sintetizador que deixa só uma parte do sinal atravessar. Então, na verdade, o que o sintetizador está fazendo com o sinal é isso...’ (ilustra juntando as pontas de seus dedos indicador e polegar).

Quando as faixas com a voz estão completas Ian vai pra casa da mãe dele para uma xícara de chá enquanto Bernard faz uns overdubs de guitarra e violão em Love Will Tear Us Apart.

Enquanto isso tudo acontece Hookey está no lounge assistindo TV esparramado no sofá. Eles estiveram há pouco tempo em turnê com os Buzzcocks, acabaram de retornar de Paris, e em dois dias saem novamente para a Holanda e depois ainda Berlim. Pensando nisso eu pergunto sobre seus empregos diurnos.
‘Sim, a gente saiu dos nossos empregos algum tempo atrás,’ recorda Hookey.

Presumivelmente então a Factory Records está providenciando um salário para viverem.

‘Bem, o álbum tá fazendo algum dinheiro, as vendas e tal. Você tampouco pode chamar isso de “salário pra viver”’.

Apesar de que o novo álbum “Unknown Pleasures”, tenha sido bem recebido pela imprensa, houveram alguns ataques feitos contra eles, alguns bem cruéis. Eu pergunto se isso não o incomodou.

‘Não, teria incomodado há dois anos, mas não mais. Depois de se encontrar com alguns jornalistas você já fica esperto com essa coisa de ficar incomodado porque quando eles te entrevistam se você não responde do jeito que eles querem eles não prestam atenção. Por exemplo eles dizem: “Quais são suas influências?” e a gente diz “Na verdade a gente não tem nenhuma” e você pode ver que eles ficam aborrecidos e eles viram a cara desinteressados. Uns dois que eu conheci tem sido tão cruéis , tipo o Paul Ramball da NME fez uma entrevista com a gente uma vez e tava tudo OK, mas mesmo com ele levou um certo tempo pra gente fazer ele entender nosso jeito de pensar. Eu acho toda essa coisa de entrevistas bastante clichêzadas mesmo, você não?’

Isso depende do seu critério de clichêzado, eu acredito.

‘Bem, eles me fazem a mesma pergunta toda vez.’

Bernard no dia de hoje há 40 anos - foto de Daniel Meadows


Nesse ponto a TV derrama-se em publicidade, o primeiro é um da Butlins. Isso distrái Hookey.

‘Eu odeio Butlins’, ele declara, ‘Eu trabalhei lá uma vez por três dias como cozinheiro-assistente. Eu nunca tinha cozinhado antes em toda a minha vida’.

Logo Ian volta da casa da mamãe e ele e Hookey fazem os vocais de apoio depois do quê Hookey me leva até à van para procurar por uma lanchonete de vender ‘chips’.  Enquanto ele dirige eu pergunto como a banda foi formada.

‘Bem, eu e Bernard fomos os membros fundadores e a gente via muito o Ian depois dos primeiros shows dos Sex Pistols. Ian já tinha um guitarrista e ele queria um baixista e um baterista e a gente queria um vocalista e um baterista, então por causa desse guitarrista do Ian a gente não se juntou. Então o guitarrista do Ian saiu e nós colocamos um anúncio e Ian respondeu, simples assim, mas a gente testou uns dez bateristas antes da gente encontrar o Steve.’

ATROCITY EXHIBITION

Depois de comer nossos ‘chips’ no estúdio todos decidimos que seria uma boa ideia que fôssemos para o pub. Rob, estando à frente de todos, anuncia que o último a chegar paga a rodada e todos saem correndo. Eu infelizmente estava no fundo e na minha tentativa de ganhar posição todo o meu dinheiro cai no chão. Mas nem tudo está perdido porque eu passei tanto tempo recolhendo que quando eu chego ao pub já tem outra pessoa pagando a rodada.

Sento pra beber e pergunto ao Ian sobre seu gosto pelo trabalho de J.G. Ballard e William Burroughs. Descubro que ele já leu uma boa seleção dos dois autores incluindo Crash (meu favorito), Terminal Beach, Atrocity Exhibition e High Rise de Ballard e Soft Machine, Naked Lunch e Wild Boys de Burroughs. Ele tem também um livrinho do Burroughs chamado Apo-33 que  inclusive estava com ele no momento. Eu dei uma folheada e achei muito interessante. Pergunto se algum desses livros influencia as letras de Ian.

‘Bem, subconscientemente eu acho que algumas coisas grudam, mas não sou conscientemente influenciado por elas.’.

E sobre aquela música que a banda toca chamada Welcome To The Atrocity Exhibition, certamente foi influenciada por Ballard?

‘Na realidade não. Eu já tinha escrito a letra muito antes de ler Atrocity Exhibition e eu estava procurando por um título porque algumas vezes eu não consigo criar um bom título. Eu vi esse título no início de um dos livros dele e eu achei que combinava bem com as ideias na letra. Um tempo depois eu escrevi a letra e a música já estava no nosso set, eu li o livro e por pura coincidência algumas das ideias no livro são similares àquelas nas letras.

Duas doses depois nós voltamos para o estúdio para encontrar The Old Grey Whistle Test na TV com Cozy Powell. O guitarrista de Powell está no meio de um solo quando Bernard vira-se para mim e diz:

‘Não é uma merda de horrível?’

Será que ele não gosta de solos?

‘Não é que eu não goste de solos, mas minha ideia de uma música ideal é aquela na qual cada instrumento tem parte igual, nada vem à frente ou acima de nada, onde tudo é igual. Claro, sempre há exceções, mas falando generalizadamente é assim que eu gosto’.

Nesse momento, já tá ficando mais ou menos tarde e só o que falta é Martin mixar as músicas. Enquanto (Martin) trabalha nós ouvimos uma gravação da sessão recente do Public Image Ltd. no John Peel.

‘Quando a gente tocou no Leeds sci-fi Futurama,’ começa Ian, ‘eu ouvia muito e achava eles ótimos apesar da má imprensa que eles recebiam. Eu tenho Metal Box e eu acho magnífico, a única coisa é que, eu tenho que colocar um peso sobre a agulha do toca-discos para ela não ficar pulando. Eu adorei o dia inteiro em Leeds, eu queria ter ficado para um segundo dia, mas eu não podia. Eu nunca pude entender todas as péssimas críticas que eles recebiam’.

Enquanto a gente ouve as gravações do Joy Division pela milésima vez o assunto muda para as aventuras deles no exterior na semana passada.

‘A gente estava num hotel’, relembra Bernard, ‘e estávamos os cinco dormindo num mesmo quarto e tipo vinte pessoas no quarto ao lado, um deles era o faxineiro do hotel. Ele ficou furioso conosco porque ele saiu no meio da noite e pegou o Ian mijando no cinzeiro e se não bastasse ele entrou em nosso quarto e me pegou mijando na pia’.

Esse humor jovem continua pelo que resta da noite e, um pouco depois, Hookey tinha ido embora então Rob, vendo que Hookey já não estava resolve tirar a maior onda com a cara dele.

‘O Hookey já foi embora?’ Pergunta.

‘Sim’, Steve responde.

‘Bom, eu já estava mais aguentando aquele filho da puta.”

Todos estão rindo agora, enquanto isso me ocorre que nem uma vez hoje eu percebi nenhuma expressão contrariada ou alguma má-vontade em falar, pontos que a imprensa de música nacional está sempre afim de deixar claro. Talvez esteja só na cabeça do entrevistador (quando estava para sair eu mencionei que como eu me lembraria de tudo o que foi falado, Steve diz, ‘Inventa tudo, todos os outros fizeram assim.’) e mesmo que não tivessem inventado, então talvez a culpa devesse estar totalmente e justamente colocada sobre o jornalista com suas perguntas clichêzadas e seu gravador de fita.
Na van de volta pra casa Bernard me confidencia: ‘Pra falar a verdade eu não gosto do (estúdio) Pennine, no fim eu já tinha me acostumado, mas eu prefiro o Strawberry em Stockport, é mais amigável.’

Ian concorda.

Mais uns poucos minutos e mais algumas piadas sobre a ausência de Peter Cook a banda me deixa perto de casa.

Não se deixe enganar, esse próximo single, julgando pelo que ouvi, vai ser uma sequência maravilhosa para o excelente Transmission. Eu só espero que seja lançado como single 12’ (Está ouvindo Factory Records?). Fui pra cama cantarolando These Days, um belo fim de dia. Nem tanto uma entrevista, foi mais passar um dia com o Joy Division.

Alan Hempsall, janeiro 1980

[Postscript: O show na Bélgica com Cabaret Voltaire e William Burroughs, citado no início da entrevista, foi a abertura do Plan K em Bruxelas, em 16 de outubro de 1979. A visita a Paris foi o show no Les Bains-Douches, 18 de dezembro de 1979. O festival Leeds Futurama sci-fi, mencionado perto do fim da entrevista aconteceu no The Queen’s Hall em 8 de setembro de 1979. Um álbum compilação estava programado para ser lançado pela Factory, mas como tantos álbuns ao vivo  - nunca foi realizado. Frank Brinkhuis]

Quer ler no original? Clique aqui.


Nota do tradutor: Traduzi tudo de uma vez só. Tentei abrasileirar a tradução ao máximo. Quaisquer erros de digitação serão corrigidos 'SE' e somente 'SE' você me avisar. Espero que tenham gostado.

domingo, 2 de junho de 2019

HQ: AS AVENTURAS DE NIN

Estimulado pelo formato FANZINE editei uma HQ chamada O MENINO BARBUDO que tenho distribuído de graça. Uma revistinha com as dimensões 15 cm x 10,5 em preto e branco.

Então veio a ideia de uma HQ 'de verdade', com capa colorida nas dimensões 20,5 x 14,5, 12 páginas.

O heroi continua o mesmo, mas o nome, O MENINO BARBUDO, foi reduzido para NIN e comecei a introduzir uma 'turma' para o heroi.

Capa do # 1

A premissa é sempre a mesma, NIN é um viajante estelar com sua nave e cada revista traz uma historinha que é uma aventura em novo planeta.


Capa do # 2


Com 2 números impressos me dedico agora a produzir o número 3.


Capa do # Zero


contato aqui.


terça-feira, 7 de maio de 2019

Departamento - grupo gótico-experimental em Goiânia 1988/89

Rock em Goiânia sempre foi pesado. Metal e punk e grunge e stoner o que não impede que, eventualmente surjam bandas que se dediquem a um conteúdo mais 'artsy'.

Departamento no estúdio Katzenmusik em 1989
Alexandre, Jadson, Marina, Vladimir (cabisbaixo) e Clayton

O grupo que ficou conhecido como DEPARTAMENTO foi criado em 1988 por Vladimir Safatle, na época entre 15 e 16 anos. Vladimir queria um grupo fortemente experimental e com presença feminina. Para vocalista chamou Glaucia Prado - que foi a primeira garota visualmente PUNK de Goiânia - Clayton Baroni no baixo, Alexandre Nascimento na bateria e para a guitarra o Mandioca.

Clayton, Jadson, Vladimir e Alexandre

Na verdade o grupo chamava-se Departamento de Testes (entendedores entenderão) e o show de estréia (8/10/1988) foi marcado para acontecer no auditório da Faculdade de Direito da UFG.

Primeiro show do Departamento

Glaucia sai do grupo duas semanas antes do primeiro show da banda e Vladimir, desesperado, sai pela cidade procurando 'alguém' que concordasse em se apresentar com um grupo de garotos, todos na faixa dos 16 anos e acaba telefonando para mim ( 22 anos) e o convidei a ir até meu apartamento para conversarmos.

de cima pra baixo: Vladimir e Jadson, Alexandre e Clayton

Vladimir me causou uma excelente impressão. Muito sério, inteligente e articulado trouxe uma fita cassete com um ensaio da banda (mal) gravado e nos sentamos na sala a ouvir as faixas que eram todas instrumentais, Vladimir tinha as letras (escritas por ele) datilografadas em papel ofício, mas ele não se referia a elas como letras e sim como 'relatórios'.

Vladimir (em pé a esquerda), Alexandre, Clayton e Jadson

Nenhuma banda em Goiânia naquele 1988 tinha uma fita demo de seu trabalho (exceto Quarto Mundo, 17º Sexo e Restos da Cultura Proibida que já estavam extintas) o que me chamou a atenção, geralmente as bandas te chamavam para um ensaio e você se virava lá mesmo, na tora.

Fita de rolo: Demo dos Restos.

Após ouvir algumas faixas eu comentei que me lembrava Restos da Cultura Proibida e Vladimir não gostou muito, mas acredito que era o que ele queira mesmo, o RESTOS era a banda cult da galera post-punk na cidade e a turminha por volta dos 15 anos de idade compunha as fileiras dessa cena no final da década.

Arte do livreto/folder
distribuído na entrada do teatro ao público pagante

Depois da audição sentamo-nos na escada do prédio e falamos sobre filosofia e literatura me deixando ainda mais intrigado com aquele adolescente tão lúcido e tão maduro.

Cartaz e ingresso por Marcelo Solá
Projeto Fragmentos de Uma Subcultura 2ª apresentação

Topei a empreitada e durante uma semana ensaiamos numa esquina do setor Aeroporto e colamos cartazes pela cidade.

Cartaz Fragmentos de Uma Subcultura por Marcelo Solá
1ª apresentação

Eu me sentia como 'um pinto no lixo' naquela banda porque pude experimentar tudo aquilo que nunca tinha podido nas minhas outras 2 bandas nos anos 80. 

Arte original de cartaz

Nossa estréia foi interessante, tivemos certo público que estava sentado nas cadeiras do auditório o que emprestou um ar de teatro à nossa apresentação e não uma atmosfera de 'show de rock'. A 'velha guarda' do post-punk goianiense também apareceu, curiosa para conferir o que o Jadson estava fazendo com aquele bando de moleques.

Depois desse show permaneci no grupo, mas o guitarrista Mandioca saiu e resolvemos continuar a banda sem guitarra mesmo.

Folder distribuído aos pagantes: Departamento e Casa dos Sonhos

Vladimir, que agora tinha efetivamente uma banda ativa na cidade tratou de dar o próximo passo: agregar uma dançarina ao nosso 'espetáculo' (sim, a ideia não era fazer SHOW DE ROCK)e passaram pelo grupo Ecilene Camargo, Cassia Queiroz e Adriana que foi quem ficou até o fim.

Outra garotas estiveram conosco como Cíntia que era responsável pelas luzes e Ludmila Câmara que fazia a produção.


Adriana, dançarina do Departamemento
agora é Ekanta Jake, DJ de psytrance

Logo depois junta-se a nós a bela Marina Arantes nos backing vocals e tornamo-nos um grupo de arte ou pelo menos era como nos víamos.

Por influência de grupos como Cabaret Voltaire e New Order eu e Vladimir cogitávamos adotar uma bateria eletrônica (e demitir Alexandre), mas isso nunca chegou a se concretizar.

Alexandre tocava em um grupo de samba e Clayton era jazzista o que nos permitiu compor tango, bolero, samba e house music, disfarçar nossas deficiências técnicas, mas nunca chegamos ao tão sonhado industrial que era nossa obsessão naquele momento.

No Mephisto Pub com a banda SHED

Nossa vida era dedicada à boemia e nos tornamos um grupo bastante fechado. Clayton namorava com Adriana e eu com Marina o que trouxe os membros da banda para uma convivência extremamente próxima. Saíamos sempre juntos e experimentava-mos as delícias do desregramento em conjunto. Íamos ao cinema juntos, tomáva-mos drogas juntos (Trecho do livro: "Entre nós sempre houve os que usavam muita droga, os que usavam pouco e os que nada usavam"), líamos e emprestávamos livros uns aos outros.

Poucas pessoas eram 'permitidas' em nosso círculo, entre elas a já citadas Ludmila e Cíntia, a estudante de filosofia e atriz Leila Aquino ou seja mulheres.

Capa do livro LEADING LADIES

Mulheres também passaram a ser tema de nossos cartazes e divulgação. Vladimir tinha o livro Leading Ladies com as 50 mais inesquecíveis atrizes da era dos estúdios que era nossa inspiração.

Apresentação na Multiarte galeria de arte.

Em algum momento de 1988 o Restos da Cultura Proibida (agora em Ribeirão Preto) perde o guitarrista Woodgard e o vocalista Afonso, mas o tecladista Edson Lenine e o contrabaixista Joca Vita resolvem continuar o trabalho juntamente com a dançarina Iracema com o nome trocado para RESTOS DA C.P. o que não afetou em nada a recepção do público que se referia à banda como simplesmente RESTOS.

Restos da CP: Edson Lenine e Joca Vita

É como eu escrevi no livro quando o Departamento e o Restos se tornam bandas irmãs e fazendo tudo junto.

1989 é o ano dos 'projetos' que eram shows multimídia onde as duas bandas apresentavam dança, mímica, artes visuais, vídeo, poesia e música sempre em teatros e auditórios onde as pessoas ficavam sentadas assistindo a quaisquer ações que podíamos imaginar e realizar.

cartaz

Também foi o ano em que um outro grupo surge com serras elétricas, brocas,sucata e sintetizadores: O Mademoiselle Docteur que acabou depois de duas ou três apresentações. Eram sérios candidatos a banda irmã do Departamento, mas 89 foi o ano em que a cena post-punk de Goiânia iniciava sua saída de cena. As principais cabeças organizadoras dessa cena começaram a se mudar para outras cidades.

Último show do Departamento com Mademoiselle Docteur

Ao projeto DAS CORES AO SÉCULO XXI (que deu nome ao livro) considero como o canto de cisne dessa cena que envolvia também as bandas Flores Para Alice, Shed e The Burbs. essas bandas acabaram pouco depois sendo que os BURBS tiveram sua primeira formação de 1989 a 1993 e outras formações que chegaram até 2006 sob a batuta do Paulo Sérgio que também é ex-integrante do Mademoiselle Docteur.



A última apresentação do Departamento ocorreu no mesmo local da primeira: A faculdade de direito da UFG.

Cartaz do projeto ARTE E DESENVOLVIMENTO

Ao escrever o livro nossa intenção era deixar um pouco desse clima romântico registrado e funcionou.

Jornal anuncia o projeto Das Cores Ao Século XXI:
mescla de dois projetos, um do Restos e outro do Departamento.

Temos um documentário em edição e também um CD com 30 faixas de 7 bandas do período, mas vamos aumentar o numero de bandas assim que novas velhas bandas forem desenterradas.

capa do livro DAS CORES AO SÉCULO XXI
CD com 30 faixas de 7 bandas do livro

Adquirir o livro e CD aqui.(leia abaixo)

ATENÇÃO: Alteração na informação sobre o CD.

Os correios tem dificultado o envio de CDs com informações desconexas que variam de funcionário para funcionário.

Informações no site dos correios não condizem com o que os funcionários dizem no balcão no momento do envio.

Então enviamos apenas a capa do CD com um link para baixar as 30 músicas. 

Entendeu? Se não entendeu entre em contato aqui. (ABRIRÁ OUTRA PÁGINA).

A CAPA e o link não terão custo, você paga apenas pelo livro.

---- SEGUE 3 VÍDEOS: 

Mais vídeos no Bobo Canal



Uma música do Departamento para vocês:




Eu e Clayton (baixista do Departamento) conversando pelo Skype.



Introdução do documentário: